Sra. Márcia, a questão de escolher um Papa
não é algo fácil e sem muitos detalhes que compõem
um quadro de impressionante envolvimentos. Claro
que nós acreditamos que é o Espírito Santo quem
dirige o processo, mas tudo acontece entre
pessoas, entre gente que tem suas preferências e
linhas de pensamento. Além disso existem os
condicionamentos sociais, culturais, relativos ao
tempo.
Por exemplo, não é muito provável que um dia
seja escolhido um Papa de nacionalidade norteamericana
ou canadense. O motivo é que estes
paises têm grande poder econômico, político e
militar. Escolher um Papa vindo destes paises
poderia dificultar a diplomacia internacional, visto
que o Papa tem uma grande importância neste
campo. Para alguns países ele poderia ser uma
espécie de “porta-voz” extra oficial daqueles paises,
defendendo seus interesses. Mesmo que isto não
aconteça pode haver alguns inconvenientes.
Quando João Paulo 2º foi eleito ele quebrou a
tradição da escolha de Papas de origem italiana
que já durava mais de quatro séculos! No passado
as viagens eram difíceis e mesmo perigosas, o que
fazia com que os Papas fossem em geral italianos.
E João Paulo 2º surpreendeu pois era um polonês
vindo de um regime político dos mais difíceis e opressivos. Ele fez uma história que ninguém
jamais poderia imaginar.
Bento 16 é alemão e tem enorme experiência
em contatos internacionais. Talvez a grande
vantagem que ele apresenta é ter conhecido muito
de perto a João Paulo 2º e trabalhado ao seu lado
por quase vinte anos. Além disso e sobretudo a
sua preparação cultural é absolutamente única. Ele
foi um dos grande teólogos do século 20 o que é
reconhecido até por quem não o segue.
Quanto a um Papa brasileiro, bem… Perdoe-me
em dizer o que penso, mas nós brasileiros às
vezes nos convencemos de nossa própria
identidade e exageramos. Temos gente de valor
em todas as áreas, mas o mundo é bem maior do
que nosso quintal! Um Cardeal, para ser escolhido
Papa, deve ser conhecido pelos outros Cardeais e
ter alguma proeminência entre eles. Não será
escolhido um que ninguém sabe como pensa, o
que faz e qual o estilo de vida.
Nossos Cardeais mais conhecidos eram já
idosos, outros ainda jovens. Não dá para saber
porque não foi escolhido um deles.
É possível
imaginar porque foi escolhido Joseph Ratzinger, isto
sim. E quanto à pergunta se já houve um Papa
brasileiro a resposta é não. Há uma história
lembrada em um certo livro de David Yallop que
Dom Aloysio Lorscheider, recentemente falecido,
teria sido muito votado em 1978, mas nunca
saberemos se isto aconteceu mesmo. |