A importância da luta na vida humana é de extrema necessidade. Lutar não é ser violento, mas imprime uma constante que traduz uma atitude pessoal de mudança, de recobrar, refazer ou fazer com esforço, uma atividade nova ou uma ação que imprima sabedoria para se ter bons frutos.
Nestes dias tenho visitado alguns enfermos da comunidade paroquial, pessoas de muitos anos de vida comunitária. Como é saudável o modo como lidam com a enfermidade e a sua recuperação. Chamaria de sabedoria para lutar com a doença, com o momento.
Uma destas pessoas me alertava que a cada dia precisamos ter muita paciência, e ao passar destes dias, termos paciência para fazer uma coisa a mais, até chegar o momento de poder fazer novamente todas as atividades do dia-a-dia da família.
O Cristo nos chama a sermos fortes e nos convoca: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua Cruz e siga-me” (Mc 8,34). Nos momentos de dor são as horas mais profundas, onde muitas vezes nos deparamos com a realidade de procurar a energia que ainda resta, para darmos os passos que precisamos em prol da superação. O que Cristo nos propõe neste texto de Marcos, é que, talvez nem sempre nos permitamos chegar até nós a realidade. Renunciar a si mesmo é complicado e difícil desfazer, se dispor, se despir de certos conceitos. Às vezes por preconceito, outras por orgulho, ou por vaidade, não nos deixamos vislumbrar o objeto de nossa realidade, que é além do “Eu” que se opõe. Em muitas circunstâncias achamos a nossa cruz, e lamentamos de um modo exacerbado, sendo que nos deparamos com outros que nem sequer lamentam o fato de uma dor, uma tristeza ou sofrimento.
Saber, ter sabedoria é mais que uma simples definição, é uma atitude de vida, de amor, de testemunho para uma realidade onde estamos ou convivemos.
Saber lutar é o tema deste mês na novena anual de Santa Edwiges, no oitavo dia para a nossa reflexão. Oh! Quão bonito é vermos nos santos os exemplos de vida, isso nos implica tomarmos estes exemplos para que a nossa vida também se torne um discipulado do Cristo, uma vivência dos valores e um empenho para a santidade pessoal, compromisso de nosso batismo.
O que precisamos é ter esta busca por sempre mais de Deus e bases em sua Palavra, para nos atermos às consolações provindas dela, como certezas, riquezas e seguranças para que possamos avançar. O Salmo 45, 6 nos diz: “Deus está no seu meio... Ele vem ajudar”. Certezas para quem se alimenta, mesmo em tempos de dificuldade. Um convite que faço, é o de se colocar com certezas deste Deus que não desampara que a Ele se confia. Isaias, 45,18-19 nos diz: “Somente eu sou o Senhor, não há outro!...”. Tenho uma tristeza em encontrar irmãos que nas horas de angústia não vêm à comunidade, buscam como em gôndolas de supermercado ofertas de consolo, sinto que às vezes não estou na rua ou perto desta casa para dar este passo em prol deste ou daquele irmão ou irmã para ser um ponto de sabedoria para suavizar esta luta.
Que a sabedoria possa ser ponto de apoio, usemos dos meios diversos para crescer, para sermos homens e mulheres de força e sabedoria. Saibamos ser atentos aos que os chamam a voltar e a tempo nos proteger de tudo o que nos deixa desabrigados da verdade, da fé e por fim, que nos ofusca a esperança.
Busquemos na literatura dos versos a poesia de uma vida dita de forma romântica e traduzida de vida que vem da luta, de fazer uma vida nova em meio às circunstâncias gerais de nossos dias.
Um bom mês vocacional a todos, e que os que se sentem vocacionados à consagração, possam ser fortes para saber lutar pelo sim que devem dar, não a si, mas ao Senhor que os chama.
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