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Pe. Mauro

As pequenas coisas

Pe. Paulo Siebeneichler
 

De muitas maneiras e de diversos estilos, a vida acontece, e são os detalhes dela que nos seduzem e nos fazem atentos a sua realidade e aos acontecimentos do cotidiano.

Este mês de julho a novena de nossa Padroeira, Santa Edwiges, nos traz o tema às pequenas coisas.
O que é pequeno? Por que afinal, valorizar coisas tão insignes em nossa vida? Se os namorados, por exemplo, prestassem atenção nos detalhes; quanto amor haveria e a pessoa amada o esperaria ansiosamente. E se o encontro fosse sempre marcado por algo distinto a cada dia? Como seriam diversos os nossos ambientes se nós nos detivéssemos aos detalhes, para que as pessoas do nosso entorno ficassem bem?

Pequeno, define o dicionário como: Pouco extenso, de tamanho diminuto, de baixa estatura, de pequeno valor, limitado, acanhado, e também diverso de pequenez que tem o significado de mesquinhez, ou o estado de pequeno e de limitação, não na qualidade de novo como a primeira significação o traz em si.

É preciso valorizar os detalhes. Nestes tempos de copa do mundo, basta olhar para os times, o conjunto de detalhes, farão com que os times menos abastados de super-estrelas sejam bem mais sucedidos. O detalhe que vai ser o diferencial de todos os outros, o amor à causa que se está empenhado. Uma heroína de nossas casas faz muito bem isto, a mãe. Quanta coisa tem ela aos olhos, as mãos, a mente para não nos deixar em situação adversa no caminho que estivermos traçando até o destino final em outro porto seguro. Da copa à nossa casa, podemos fazer o paralelo, e mais ainda, para olharmos a copa, ela (a mãe) possibilita que o nosso bem estar seja completo. A pipoca e outros adereços a mais. Ela deixa a sala para que vejamos tudo, e atenta a todos, atende a nós, e não se dispersa em estar sendo, torcedora, mãe, acolhedora.

Acima eu me refiro aos namorados. Acrescento a este os enamorados de questões, de situações de profissões, de paternidade, maternidade, enfim da vida. Onde a pessoa, o ser em si se deixa possuir pelo amor, se faz apaixonado pela causa ele(a) vai se fazer muito mais intenso e extenso em tudo, dando tudo que de mais extraordinário tem de si, devido seu propósito. Se os esposos tomam este para si, vão fazer acontecer a nova era das suas casas, pois se enriquecem as relações, aquecem os ritos de uma vida intensa e dedicada ao que se relaciona.

Numa cultura onde o individualismo nos cerca, é muito comum pensar no “eu”, e não estar muito cercado do “outro” como uma situação pertinente ao envolvimento social. As áreas de interesse que se estendem às necessidades de se cuidar de especialidades, o mercado que exige adequações, nos torna seres imputados a uma necessidade ampla de opções, e cada uma dela traz decepções se não as fizermos de modo amplo. Hoje se fala de crescimento sustentável, para cuidarmos do planeta, dos animais, dos vegetais, e pouco se fala de realidade sustentável humana. Sustentabilidade me responderão, é o que se pensa para atender o homem, mas o que vai se fazendo com estes filhos de Deus que estão cada vez mais oprimidos pelas correrias, pelas competições e pelas exigências de mercado?

É nesta realidade macro que somos chamados a de modo muito sutil ser os pequenos de Deus. Dar sentido às pequenas coisas. Edwiges em meio a toda a vida social a que era submetida fez isso acontecer, como esposa, como duquesa, como mãe, como embaixadora dos pobres, dos simples, dos presos. Nada o cercou de colocar-se em relação e certamente, nesta realidade moderna e ampla, ela, Edwiges, saberia se por, e dar respostas novas aos problemas novos.

O que precisamos hoje não é abandonar os ideais, nem nos oprimir com toda a vida moderna, o desafio está aí. Nós somos mais do que nunca convidados a nos motivar e nos colocar fazendo a vida ser cheia de expectativas. A copa nos ensine a capacidade do detalhe no conjunto, a mãe, no serviço integrado, e Edwiges nos dê a certeza que, ser atento ao detalhe não diminui o homem e a mulher, mais que os faz um ser diferenciado, por ter em si, a dimensão do conjunto, enriquecido no detalhe das pequenas coisas.

Sejamos enamorados de uma dimensão humano, espiritual, social, em relação, e o conjunto da vida nos faça viver todos os detalhes dela.

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